
Não é nem pior nem melhor do que roubar, à luz da lei que –supostamente- nos rege, mas parece ouriçar os cabelos da nuca a muitos dos que passariam de forma aparentemente despercebida por alguém que roubasse um carro ou uma mala.
O desconhecido, esse adamastor...
A nossa raça tem medo do escuro desde que nasce, apesar de ter passado a gestação toda sem luz. Por alguma razão acham que, depois de baterem as pestanas ao sol ou debaixo de um qualquer fluorescente da sala de partos, passam a poder falar de cadeira de um assunto que só a eles, os que têm luz, diz respeito. Os outros, no escuro, nunca irão perceber aquele segredo de clarividência do viver ao sol.
E, provavelmente, como os iniciados numa qualquer ordem secreta, farão tudo o que os “irmãos mais velhos” lhes recomendem. E agem loucos, sem pensar, a seguirem aquele rebanho que se desloca ao sabor do vento ou de um qualquer tolo mais eloquente.
Como numa "ordem" que se preze, cumprem rituais e sacrifícios idiotas que passam inevitavelmente por enxovalhar um qualquer marginal que não partilha o conhecimento de, afinal, coisíssima nenhuma.
E crescem assim, envenenados pelo comportamento a que foram sociabilizados, sem se aperceberem do que, ou quem, vive à sua volta e padece do pecado mortal de… não ser igual a eles.
Estúpidos
Idiotas
e
Ignorantes
Ser diferente é apenas não ser igual. Não é sequer mais perigoso, mais nefasto ou maligno, ou outra merda qualquer deste calibre. Até pode muito bem ser melhor.
Tenho um respeito muito grande, próximo do temor, pela coragem de quem se suicida. Não pelos idiotas que nunca sabem que cá estiveram, mas pelos que, tendo estado, vivido e, conscientes do que os rodeia, exerceram o livre arbítrio e decidiram partir.
Chamo-lhe coragem porque me lembro daquela ordem de iluminados a que pertencemos todos, uns mais que outros, e que nos incutiu o medo do escuro e o pavor do desconhecido mais absoluto que poderemos ter.
A estes guerrilheiros, a minha vénia e respeito.
Capazes de olhar para o nada nem coisa nenhuma, acabam por reunir a coragem para fazer o que a natureza mais contraria. Curiosamente, o próprio Maslow defende que, no primeiro nível da famosa pirâmide está… a sobrevivência.
Aos outros que olham com desprezo e julgam os que se mataram, poderia perguntar:
- E quantas vezes tu, senhor ou senhora do juízo fácil, te debruçaste sobre o que pode sofrer quem decide, consciente, de forma tão drástica?
Talvez seja melhor não responder, porque poderíamos ceder também…

























