terça-feira, maio 24, 2005

soon

ainda não parti, mas já estou cheio de saudades...

à medida que aumenta a distância, sinto-me mais longe.

perder


como é possível que um ar tão tranquilo desperte uma angústia tão grande...

mas, ninguém deita uma mão a essa vida, para que se não perca?

lembras-te


_ _ _ _, do tempo que passávamos abraçados?

dos lábios que corriam os teus? da sede que tinhas?

Talvez já não. Foi, talvez, há demasiado tempo...

Longe vai já o tempo em que brincava com os teus cabelos há medida que sonhava se esses genes seriam dominantes ou recessivos.

quinta-feira, maio 19, 2005

double

este foi, originalmente, um comment noutro blog. pede-me o sentido de justiça que o promova a post.
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melhor q mãe uma vez, é quando encontramos uma mãe duas vezes que se atravessa no nosso caminho assim que nascemos, como que a reclamar a herança que, inevitavelmente, também lhe pertence.
melhor q carinho grande, é o carinho imenso q foi forjado na vida mais longa e mais sofrida e, por isso, com tanta mais sensibilidade para emprestar aos filhos a dobrar.
as histórias poderiam encher as páginas das colunas de qualquer blog, mas seria sempre assim: mais forte, mais alta, mais longe, mais amor, mais vida, mais garra, mais dedicação mais ternura, mais vontade, mais amiga, mais cúmplice, mais exemplo, mais heroína, mais leoa porque já sabe que a vida não vai deixar de criar espinhos aos meninos a dobrar.
e as saudades são sempre mais do q muitas, especialmente quando sinto a tradução do q me vai no peito, na homenagem traduzida nas palavras, que também eu, faço em silêncio todos os dias.

a minha também era Custódia, mas eu chamava-lhe Avó Toda, e era a mulher mais linda do mundo.
obrigado Diana, pelas memórias invocadas.

segunda-feira, maio 16, 2005

have i told you

a música é tola, como são tolas todas as músicas românticas.

nos últimos dias as imagens parecem pedir para ter um protagonismo diferente. não renegam as palavras, mas pedem para ser concretizadas juntas.

e eu fiz-lhes a vontade.

fire in...



...sem comentários...
não...
será mesmo sem comentários...

sundae


há corpos que chamam por mim assim...

que loucura...
sinto o baque surdo no peito acompanhado daquele latejar nas têmporas, à medida que, de forma cada vez mais explicita e desarmada, vou enterrando o olhar na promessa ...

que anseia por ser cumprida

peace & heart



quero chegar aqui,
e continuar a respirar e a beijar com a mesma paixão.
como se cada um dos meus beijos fosse o último dia da minha vida.

um dia... será mesmo assim

não só, mas também um reflexo



pudessem os meus beijos traduzir a harmonia espelhada entre o reflexo e o que não é.
porque são diferentes...

mas tão lindos, juntos.

carícia



descerra-se a névoa,
e até as folhas parecem
margens de veludo
de um corpo que pede para ser percorrido

uma cor só



há caminhos que parecem ter, em simultâneo, a solidão e a beleza do inédito que sentimos.

Absolutamente únicos.

segunda-feira, maio 09, 2005


quietly, now... while we put it to sleep...

sometime... who knows?

... still away...

no name 3

night street. always blurry

rain drops

old age. hand alone, with itself.

hand alone

hand for light

why does it do that?

disenchantment, I mean. It is probably one of ugliest things to be felt, when somebody realizes that there are no drive in him to challenge and make someone else walk the extra mile.it is madness in you if it concerns anyone you love, it's half way to lunacy, if you concede yourself the hope to believe that it might be different that you thought, at first.

but no. it's the same'o same'o.
there are many things that might be taken for granted and, unfortunately, human beings are included. poor souls. yup. poor souls.

the heart beat stops if it sees the ordinary that as become to another. if it sees the lesser, but reasonable solution that represents to another: it's not the ideal way, not best way, not the best of the existing, but the best available.dammed it. and bury the heart, 'cause noon-e deserves the life that follows.
Funny, it looks a little contradictory to what has been written before, but it's the last drop in the empty cup: the one that didn't dare to come out and disguised itself as a foreign language to speak up, out loud. it doesn't hurt the same.

But still, it is the true that i feel.

and it stabs the soul like hell.

domingo, maio 08, 2005

lost in translation

à hora errada, no local errado

resolução para as couves.

sexta-feira, maio 06, 2005

está a anoitecer

...
já posso sair. sinto-me melhor por sair sem tanta claridade. ninguém olhará com atenção, até porque não consegue ver, para quem passa de noite.
...

vou-me embora. sem ter a mínima ideia de para onde...

gaita.

há uns tempos escrevi:
"há palavras que se escrevem e sentem como o decapitar de uma pena, que se preparava para escrever"

também há momentos assim, na vida da gente.



não sei o que faça


mas podia ficar a fazer isto durante algum tempo. Uau, que silêncio. Vou por a minha música. Já estou a imaginar: “q chato!” “q melodramático” Pois é. Mas acho que se pode dizer com muita segurança, que eu amo aquela música.

Amo.

Eh lá... a palavra ribombou-me no cérebro, nas mãos e nos olhos, quando a escrevi. Hoje é um dia difícil. Mesmo sem a minha amiga russa, tenho tido os olhos completamente enevoados, a criarem margens imaginárias para segurar a torrente de lágrimas que teima em querer sair.

Tenho sido afortunado. Tenho amado imenso – q se lixe – já cá não está ninguém mesmo... vão ser lágrimas incógnitas. Como aliás, são todas as minhas lágrimas...

Tenho acreditado, à medida que a vida foi passando que fui agraciado com a sorte de ter amado mais do que julgava capaz e ter sido, também, muito amado. Pelo menos foi assim que me senti, tivesse sido verdade ou mentira.

De cada vez, tive novas qualidades para amar na pessoa a quem queria, novos defeitos para sorrir e uma sempre, ou quase sempre, renovada energia, para sonhar em ser muito, muito feliz.

Dias deliciosos, recordo noites supremas de entrega, de intimidade, de prazer e muitissimo amor. Contava eu, a uma boa amiga, há uns tempos atrás, “como pode não correr bem, a entrega dos corpos, sempre que vier depois da entrega do querer das almas?”
Como podemos não ficar absolutamente loucos, quando sentimos que as mãos mais do entram no outro corpo que se entrelaça no nosso como se tivesse sido predestinado?

E é sempre assim, quando se ama. Sempre.

O resto? Ui... o resto, arrisco-me a dizer que é, pelo menos tão bom.
Deixa-me lembrar: querer muito bem a alguém o dia todo, sorrir a toda a hora, com a boca toda, como alguém me dizia, beber as palavras, os olhos, os cabelos, os lábios e todas as variantes das expressões que faz a pessoa que amamos. Querer saber tudo o que for possível sentir e que emana das mãos que nos tocam umas vezes de forma tão casual e outras nem tanto. Mas é sempre tão bom.

Fixo as imagens que recordo agora, quando amar era uma via de dois sentidos com um tráfego alucinante, e queimam-me as pálpebras as parvas das lágrimas que me escorrem pela cara abaixo.
Estou uma sombra do que já fui.
Sinto-me com metade da estrutura que já tive.
O pior é que eu sei que não pode ser assim. O pior é que para ser assim, seriam precisos dois...

Que loucura de memórias... deixa-me tentar explicar o envolvimento dos amores quando são incondicionais: quando penso no que amei e como fui amado, lembro-me sempre das minhas “crianças”, lembro-me da minha “gente pequena”.
Incondicional traduz-se em, por vezes, sofrer absolutamente à parva e nem pensar nisso, em viajar à velocidade da luz para encontrar o que satisfaça o objecto do nosso amor. E não querer em troca. Eu sei que é um lugar comum. Não faz mal, é essa a verdade que sinto.
Gaita, se eu pudesse explicar e fazer sentir o que vêem os meus olhos, e me aperta o peito...

Não consigo. E dizem-me que tento da forma errada. Não aceito. Não podem haver formas erradas. Existem encaixes e ajustes que são possíveis e têm sucesso com umas pessoas e com outras não. Mas nada disto tira mérito à intenção. Nada disto faz com que o querer que existiu, passe a ser ignóbil. Vai continuar a ocupar um espaço fixo e reservado no coração de quem amou. Que ninguém se preocupe... temos todos um coração gigante, com mais espaço do que imaginamos, onde convivem mais bem-quereres, do que alguma vez julgámos possível. E é tão bom que assim seja.

Não sabemos nada do viver, do querer, e sabemos ainda menos do amar. O que nos parece um mundo de contradições não é mais que a tradução das marés de viver. Calmas, revoltas, ou absolutamente catastróficas para quem está perto.

E depois?... depois nada.
É mesmo assim e só temos que tentar manter-nos à tona da água, enquanto fortificamos como podemos o amor que sentimos e damos vigorosamente à bomba de água para que não afundemos.
Se pararmos de fortificar ou bombear, morremos. Porque nos acomodamos e ficamos mais frágeis ou porque deixamos de expulsar o que não é de dentro.

PORRA! O LUGAR DA ÁGUA É NO MAR!
Não é dentro do barco...

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Sei lá o que faça da vida...

mas acho que a vida ainda anda mais desorientada em relação ao que há-de fazer de mim.

trabalho junto ao rio

E, apesar disso não vejo a água. Apenas umas gruas de contentores que dizem Liscont.

Estou perto do rio, do sol e das esplanadas, mas trabalho no piso zero, tapado por painéis que impedem quem passa, de olhar para dentro.

Irónico não é?
Não teria que ser assim, mas também impede quem está dentro, de olhar para fora; apenas para cima, onde estão os vultos de ferro a recortar o céu, que deslocam os contentores e a carga dos navios para o porto e do porto para os navios, sem contemplações.

Sem se preocuparem se chove ou está um sol radioso como o de hoje, que apenas posso adivinhar.
Talvez só saia daqui quando estiver escuro. É mais seguro.

talvez

porque tenho estado tão embrenhado que não me sobra tempo para pensar em coisas tristes. Talvez porque não tenho tido muitas coisas tristes, ou apenas porque tenho estado mesmo cansado e, durante o dia, não consigo ter tempo para outra coisa que não trabalhar. Muito.

Não é verdade que não tenha tido coisas tristes.

Passei um tempo sem vir aqui despejar um pouco do desalinho da alma, e isso quer dizer, automaticamente, que me sentia menos triste. Houve algumas coisas boas, é verdade. Curiosamente, à medida que o tempo passa, vou interiorizando um conceito curioso: agarro cada vez com mais força o que me agrada, ainda que não seja nada de transcendente. Existe um lado menos bom, disto que sinto: aceitarei cada vez menos na escala de exigência, ou será um qualquer canto de cisne?

Sempre achei deliciosa a história do canto do cisne. Não sei se é verdadeira ou não, mas esta é uma daquelas coisas que vou deixar instaladas no meu imaginário, porque me acarinha a alma.

Gosto da história do canto do cisne por várias razões. Gosto pela premonição instintiva que sente um ser vivo ao sentir aproximar-se o sentimento do final. Esta ligação com a natureza, esta relação primária com o que nos rodeia, faz derreter as pedras da minha calçada.
Gosto também pela elevação imprevisível de alguém em face do que aparentemente não consegue ultrapassar.


Em face da morte, o cisne transcende-se e faz o que, em face da vida, nunca se atreveu. E canta. Canta de tal forma, com um sentimento que, ao longe, os que ouvimos, sabemos que vai morrer. Que legado delicioso. Que perda para o mundo.
Mas não poderia ser de outra forma: se não fosse morrer, o cisne não nos entregava a melodia que guardou no peito até ao momento em sentiu que nos ia deixar.

Pobre Cisne, imagino o que não sentirá durante toda a sua vida, ao carregar e proteger um tesouro assim. Será por isso que dobram aquele pescoço elegante e apontam o bico para o peito?