
sombras. como os espaços sem luz.



Há dias piores, concerteza.


"Are you sure they weren't just... kissing?"
"No. They were laughing.
I've just lost the girl."
.
.
in Boston Legal S2E2
E é mesmo assim: tão simples e tão certo, nestes pequenos nadas. Independentemente do ascendente em Marte, ou Vénus.
(...long silence...)
Alan Shore: Here's... for no tomorrow.
in Boston Legal S1E1

é que há dias mesmo assim. em boa verdade, há vidas povoadas de dias assim, que parecem ser tantos mais quanto menos sobra do tempo que resta.
deixa-me sentir o sorrir e a cor dos olhos que sinto longe de cada vez que cerras as pálpebras; pensei hoje, enquanto ocupava a cabeça com coisa nenhuma.

que eu li aqui
agora, já não há desculpas para sermos indiferentes à riqueza de viver, pois não?
trata-se de decidir ficar ou ir, mas essa merda de indecisão não respeita o sofrer estúpido de tão injusto.
(foto de Kevin Carter)

Houve um tempo em que escrevia debaixo do correr desta hora.
experimenta dividir os teus amigos nos seguintes grupos:
curiosamente, já depois de escrever o post anterior, reencontrei há dias o professor que me ensinou os limites da matemática.- não há amores para sempre - "they inevitably fade away with time”. A invenção de Hollywood do “I love for ever” só ainda pega em almas desavisadas e carregadas de ingenuidade
- não há ânimo que dure para sempre; apesar da maior ou menor frequência de episódios de renascimento que possam existir
- desaparece o querer
- esmorece a paixão
- esfuma-se a energia
- vai-se finando a própria vida
Os gregos, habitualmente sábios, traduziram bem este conceito na lenda das Danaides. Seremos nós também condenados apenas a, para sempre, tentar encher uma jarra crivada de buracos?
É que, por muito que empenhemos a nossa -limitada- capacidade, o melhor que conseguiremos é tentar evitar que se esvazie, porque sabemos à partida que não conseguiremos estabilizar o nível da água em nenhum ponto.
Será todo o esforço inglório por tender para zero? Uma metáfora para o viver?
Danados são os condenados ao inferno vivo, ou morto, de um tormento que só não tende para o infinito, por tender para zero a capacidade de sofrimento do castigado.
Agora, talvez se perceba melhor porquê.




